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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Giz

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz...

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo...
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei


Letra e melodia linda, não?!

Renato Russo em todas as suas apresentações, sempre dizia ao público antes de começar a cantar a canção, de que se sentia muito feliz por ter tido capacidade de compor e escrever este letra.
O interessante, que sempre quando ouvia ela, me batia uma tristeza bem sem querer... mesmo em dias bem felizes... E uma nostalgia sem igual. tentava entender o porque esta canção era tão especial a ele.
Na cabeça do autor, nunca saberemos o que se passou de imagens, pessoas e cheiros etc... que povoam a mente quando criamos algo.
Mas acredito que algumas coisas são inevitáveis na vida. Desde lugares e pessoas parecidas... e até sentimentos... que vão e vem, além de iniciar e finalizar ciclos diários... Renato buscava alguma paz e razão na sua vida... Acho que esta letra dava paz a ele quando cantava. E que saudade é boa... que o sentimento quando vivido... é o que lhe deixa forte.

E ai faço a pergunta toda vez que termina a música: Acabou meu giz, com o que vou rabiscar agora?


domingo, 29 de julho de 2012

Colorindo a TV

Por mais que exista equipamentos ultra sofisticados... nada substitui a imaginação.
Digo isso porque me peguei analisando um comentário que vi na TV dias atrás.
Consumidores que compraram um certo televisor de marca X do fornecedor Y e este, começou a dar problemas dias após... pois a TV mostrava as imagens em preto e branco.
Um total desespero, porque após a invenção da Tv colorida, seria quase impossivel passar alguns minutos vendo a Tv sem as milhares de cores, que nossos olhos alcancem.
Lógico que o problema foi levado ao Procon e tal... e as TVs trocadas e toda aquela lista de direitos de consumidores sendo exposta naquela reportagem... Mas faço aqui uma confissão: Tenho em meu quarto, quase como uma peça de museu do Cairo, uma Tv de 5 polegadas em preto e branco que pertenceu a minha saudosa avó.
E pasmem! Assisto sim nela... sempre que possível.
Porque?!

Quando era criança e ficava com minha avó em sua casa. A única de TV que ela tinha era em preto e branco e ainda ligada a válvula. Ou seja, ligava um aparelho antes para "esquentar" a tal Tv e ai sim liga-la. Tenso né?! Mas eu achava um barato aquilo! Ansiosa para a imagem aparecer.
Ela tinha esta de 5 polegadas em seu quarto, e a noite, lá estava fazendo nossa cia.
Engraçado que sem querer, comecei a ter um hábito de infância que era imaginar as cores na Tv, conforme a imagem ia passando.
Para uma mente infantil é até fácil... mas mesmo depois de décadas, ainda faço isso quando assisto ela no quarto. Tenho a minha colorida, claro! Mas, faço isso até como forma de que minha imaginação trabalhe com as cores que tenho em minha mente. De forma nostálgica talvez, lembro aqueles momentos simples com minha avó... trazendo seus bolinhos e café. Sentadas, em silêncio confortador... 

Realmente, se tivesse uma greve de Tvs coloridas no mundo... não me sentiria em pânico... porque está tudo aqui dentro... todas as cores... Faço colorir as imagens na minha TV com as nuances que eu quiser; Pode ser desde o vestido daquela atriz.... os olhos daquele ator... as paisagens e tragédias afins. Tudo é uma questão sintetizar o que já existe.



terça-feira, 24 de julho de 2012

Situações anestésicas

Uma vez tive um papo com um amigo de anos, sobre a sensação que temos em certos momentos da vida, de nos sentimos anestesiados.

Ele até citou momentos de luto, mudanças, puxadas de tapete etc...
Mas eu comentei que além de tudo isso, esta sensação é mais do que algo morno... quele estado apático. Creio que é quando há uma sensação de cansaço com repetidas situações com pessoas e afins.
Acaba sendo tão repetido... que a mente faz um certo anestésico sobre tais assuntos e pessoas.
Aquela coisa de acordar no automático para mais um dia, e quando se dá conta, você esta dentro do carro ou no coletivo e pergunta: Nossa, como eu cheguei até aqui?!
Louco, né?!
O pior da loucura: foi uma vez que voltava do trabalho, e tive que ir até São Paulo e voltar para Guarulhos. Estava em curso... e aquilo: tem hora para entrar e sem hora para sair ( feliz vida moderna de peão).
Eu estava no metrô, e tinha que descer na Armênia, foi quando ao sair do trem olhei para um lado e para o outro e não sabia por Deus, qual caminho pegar!
Eu sentei, e fiquei por alguns segundos ou minutos talvez, que lado tinha que ir, qual ônibus pegar... e pior para onde ir?! Só faltava esquecer meu nome :P!
Ai fechei os olhos e de repente veio o norte... mas a sensação foi horrível... sem memória por alguns minutos.. apenas pela mente em estado de cansaço. Tinha que mudar tal situação e fui atras de tais alterações em minha rotina... o mundo me engolia e eu não estava fazendo nada para tal. Apenas cumprindo prazos e dizendo sim a tudo... menos a mim. Poxa.. ser adulto é assim?! ter um pouco de conforto na vida preciso vender minha alma, minha saúde, meu tempo com meus amigos?!

Sei que foram vários questionamentos...Mas o lance é que realmente para certas situações acabo e acabei usando este tal anestésico. Quando percebo que a situação vai se repetir, ou que a pessoa começa com a mesma frase do texto que já reli em outras bocas: lá vem a anestesia mental e emocional.
O ruim é quando se sai de tal anestesia... sinto que o tempo não passou, e que algo esfriasse por dentro.

Não vou mencionar assim que se deve ou não fazer isso: mas pessoas que querem ter um certo controle de seus sentimentos e ações costumam fazer isso. E acostuma-se a fazer isso até se tornar um hábito.
Vejo que pessoas mais impulsivas e viscerais, não sentem isso, ou até preferem sentir a dor lá no seu âmago mesmo... Sem dó de  colher os pedaços e ficar remoendo eles.
Acho que podemos escolher alguns momentos da vida assim: como um botão liga/desliga: Hoje viverei com emoção ou sem emoção?
A escolha é sempre nossa.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Atomizando...

Há fragmentos do que leio, assisto e ouço.... que ficam ali em minha mente, conversando comigo como se fosse aquelas conversas de final de tarde em volta de uma mesa de café.
Outro dia, meu querido Serzinho ( na qual falo dele em posts antigos), enviou -me um video muito interessante. Não apenas pelo tema ser de saúde em vários aspectos, mas porque o palestrante em certo momento comentava sobre as partículas de átomo dentro da glândula pineal. Que quando esta glândula está hiperativa, produz e se cristaliza alguns minerais, no qual, ainda estão sendo estudado pela ciência. Sabe-se pouco sobre ela, assim como o equilibrio dos átomos entre si.
Mas em certo momento o palestrante diz: Sabem que o campo de energia dos átomos entre si repercute em tudo que é material... tudo que achamos que podemos tocar e sentir de certa maneira. Mas sabem que este assunto é ainda um mistério, porque, se realmente houvesse um desequilibrio neste campo entre eles... as coisas sairiam meio que "estourando" por ai.... Na verdade o que você toca... o que você vê repousar sobre uma superficie... não está tocando assertivamente, mas sim, meio que "flutuando" neste campo. Quando você anda, tem-se a certeza que seus pés tocam o chão... mas se realmente tocassem... seria um estouro certo...
Lógico que para explicar isso, leva-se horas... e mesmo assim apenas teoria. Mas a idéia é interessante e complexa. Pensar que por um momento não tocamos realmente as coisas.... Que ao abraçar ou beijar alguém... não estamos totalmente tocando aquele ser... apenas sua superficie em equilibrio.
Esta idéia de relatividade das coisas, lembra-me muito aquele filme Matrix... onde todo o questionamento da triologia era : aonde esta minha realidade? onde começa e onde termina?! Tudo que vejo e toco é falso então?!
Não quero trazer aqui algo pirante... mas dá para entender o porque muitas vertentes espirituais dizem: tenha mais consciência de quem você é... do que se preocupar em ter... Ter as coisas é bom... mas passa... o seu ser não... ele fica, porque é a única coisa verdadeira que podemos tocar na nossa ínfima realidade.


domingo, 10 de junho de 2012

O que é ser Nerd?!

É algo que sempre fico me perguntando sempre que ouço alguém chamar fulano ou sicrano de nerd.
Na verdade, nerds eram pessoas até décadas passadas, vistas como seres de forma esquisita, em seu modo de falar e agir, anti-social, vestimentas sem seguimento de moda... ou seja, seria um xingamento ser chamado de nerd em tais condições. Há filmes do anos 80 que mostram bem isso,... um grupo de estudantes nerds tentando conquistar algum respeito e admiração das garotas e seus colegas, e do outro lado, os tais "populares" que apenas tem como atrativo a aparência e mais nada do que um cérebro vazio. Lógico que no final desses dramalhões americanos, os nerds ganham de alguma forma, quando acabam sendo ousados em seus planos, ou seja, vamos sair um pouco da toca e mostrar o que temos de potencial.
Hoje, voltando totalmente a nossa realidade, ser chamado de nerd: é um elogio! e dos bons. Por quê?
Oras, em plena era da informatização a todo vapor,... invenções tecnológicas em todos os campos da ciência... o que teremos atrás de tudo isso? de todo lucro e prestígio? UM NERD!
Hoje diria, que um nerd é uma pessoa descolada, sensível, dedicado, paciente mas ao mesmo tempo muito ansioso, inseguro quando se trata de pessoas e grupos bem diferente que compõe seu mundo, mas com um potencial incrível para várias coisas que nem eles mesmos imaginam.
No meu olhar, os garotos e homens que me chamam a atenção estão longe do padrão de beleza comercializado por ai a fora nesta mídia louca... sempre tive um olhar mais atencioso para os nerds... Por quê?!
Percebi que também estava no mundo de nerdices.... faço e gosto de coisas que só nerds entendem. Desde a apreciação por ficção cientifica, músicas bem lado B, papos sobre vários assuntos que tenham conteúdo e façam sentido ao meu tempo e a minha vida... e sim pessoas, com atitudes. Nesta linha digo que ser nerd hoje em dia, é cultivar muita atitude diante de tanta banalização... e gostar de encontrar seus amigos e ter papos longos sobre vários assuntos e ninguém brigar para que lado está a razão... e sim apenas ouvir e analisar as idéias... é usar a lógica e a sensibilidade (criação e razão) ao favor de si, de um grupo, de uma sociedade e até para um futuro com tudo isso.
É um prazer mental muito além de explicação de palavras... é a sensação de que sua dedicação de dias e noites, foi concretizada! ou pelo menos está a caminho.
Se você é ou tem ou amigo nerd, aprecie! Cultive o bom relacionamento... e POR FAVOR!!! respeite o momento que o nerd quer ficar sozinho e esta com cara de poucos amigos e conversa... ele está em processo de criação... rsrsrsrss... só isso, depois ele volta para a tal realidade.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Rótulos, adesivos e palavras...

A arte de viver sempre me surpreende...
Para alguns isso não é novidade e para outros veriam isso com certo pessimismo.

Acho que a maioria já deve ter lido e ouvido aquela emblemática frase do Pequeno Príncipe:

" Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Lembro ter lido este livro pela primeira vez de forma precoce aos meus 10 anos de idade física... (meu mental sempre achei mais a frente do que meu corpo infantil podia acompanhar...). Pois ficava me perguntando o porque de um menino morar sozinho num planeta e com apenas uma rosa em sua companhia???. Anos mais tarde, percebi que aquele livro não era tão infantil assim... e tinha mensagens profundas para um cotidiano um tanto obscuro aos meus olhos.

Como para mim sempre tem alguma razão de ser... Li recentemente num blog, no qual uma amiga muito querida passou-me...  ( detalhe descrito pelas palavras dela: Camila... mando isso como boa Capricorniana que me conhece (risos)...)
Nas palavras dela, o trecho a seguir resume bem o sentido de como ela vê e sente o mundo a sua volta,... e confesso que de certa forma também me vi nele... Quem for de Capricórnio e tiver estas tendências, possa fazer sentido.... eu não sou... mas valeu- me uma boa reflexão rs. Segue o trecho:

Capricornianos são como a personagem da RAPOSA. Provavelmente, nunca vamos dizer em voz alta para alguém "me cativa?", mas, de resto, somos como a raposa: - Então a raposa apareceu. "Bom dia", disse a raposa. "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar." "Eu sou uma raposa", disse a raposa. "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste". "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada". "O que significada isso – cativar?" "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços". "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas sem você me cativar então nós não precisaremos um do outro". A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse: "Por favor cativa-me." "O que eu devo fazer para cativar você?" perguntou o Pequeno Príncipe. Você deve ser muito paciente". disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia." Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele – "Oh!" disse a raposa. "Eu vou chorar". "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse". "Adeus", disse o Pequeno Príncipe. "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa.

Agora começo a filosofar o  porque ter mencionado este trecho e também pelo titulo que escolhi.
A maioria em algum momento se deparou com pessoas rotulando outras. Acredito que a grande maioria faz isso e não tão cedo isso vai mudar. Se não rotulam, colocam um adesivo de aceitável ou não aceitável de acordo com o que o outro esta dizendo ou fazendo.

Poucas pessoas realmente assumem o que dizem e fazem... e quando se encontra raras criaturas assim, muitos se chocam com  tanta atitude e autenticidade.

A vida me surpreende porque tive o prazer de recentemente ter conversado com uma pessoa que foi pré- julgada e rotulada como  A CHATA! E acrescento aqui, que nunca ouvi e nem vi aos meus olhos ela sendo estupida no falar ou agir com alguém. Apenas via uma pessoa colocando o ponto de vista dela.

Em uma das minhas pequenas e seletas rodas de amizade... ela era considerada assim e mais alguma coisa.
Achava triste e ficava muito incomodava por certos comentários ocultos para a mesma..., mas ao mesmo tempo analisava quantas vezes tinha visto e presenciado aquela cena em outras épocas de minha vida. Seja em ambientes de trabalho ou não... Mas poucos se davam o direito da empatia e tentar entender o porque da pessoa fazer certos comentários que na sua maioria não eram aceitos.

E a vida na sua maestria,... numa bela tarde, tive o prazer de conhece-la de uma maneira, fora daquele nosso circulo... e por mais impressionante que seja: Não consegui detectar a tal "chatice" rs.... Aliás, se estendeu agradável. 

Em suas narrações  de fatos da vida... ela sabia e tinha plena consciência que não era aceita pelos nossos amigos e sabia até que era tida como "a chata".
Confesso que isso foi uma surpresa aos meus olhos... Ter consciência das inúmeras criticas recebidas...  sentida e proferida de maneira direta ou não pelos outros. No seu modo de ver, ela entendia e se conforma de certa forma as pessoas a tacharem assim. Mas o que mais a entristecia era o fato dessas próprias pessoas não SI conhecerem e por sua vez, acabavam não tendo a oportunidade de chegar e sentar mais perto ( assim como a raposa) e a conhecer.

Tem certos pensamentos que são verbalizados por algumas pessoas que são do tipo: É... você não é uma pessoa fácil mesmo!!!!
E alguém algum dia já conheceu alguma pessoa fácil?
O que é ser uma pessoa fácil?

Alguns paradigmas colocados em conversas muito triviais, ao meu ver, acabam sendo quebrados ou até viram polêmica em roda, pelo simples fato do outro (ouvinte), não se colocar no olhar do outro.... Pq?
Como alguns já me disseram: ou dá muito trabalho ou não tem tempo para isso... (Lamentável, diria!)

E mais uma vez vem a pergunta da Raposa: Me cativa? 
Quantas pessoas você tem ultimamente cativado? Você tem se cativado?
E se cativou alguém, tem sido responsável por mais este laço feito em sua vida?

Acabamos defendendo tanto nosso ponto de vista ( certo ou não)... Que perdemos esta magia de conhecer o outro...
Acredito que umas das primeiras, e significativas causas de transtornos emocionais seja por este pequeno detalhe... E que hoje, passa despercebido pela maioria: dar-se o tempo... 

Catives....







domingo, 8 de abril de 2012

Sem espartilhos...

Todos tentam alcançar a liberdade. Acho louvável essa busca e vejo os principais obstáculos para manifestar a liberdade.

O engano, o medo e o orgulho.

O engano está na visão sobre liberdade. Enquanto capacidade de caminhos abertos a liberdade sempre está ali, mas enquanto trilha percorrida para visão ampla demanda uma ação. Liberdade não é fazer o que se quer, mas ter livre acesso ao que se quer e poder não querer. E naquilo que não se quer poder navegar sem peso até querer. A ideia de que a vida é algo pré-dado, fixo ou “à minha espera” é um dos grandes enganos que carregamos. É essa visão rígida que alimenta o preconceito, a discriminação e a pequenez de nossa ação. A impossibilidade de experimentar novos sabores, pensamentos, visões de mundo é o resultado desse engano fundamental. Querer paralisar o prazer e a felicidade em algo estático também.

O medo é o apego ao conhecido, ao antigo, ao vivido. É quando tentamos proteger valores, experiências e pessoas simplesmente porque temos medo de mudar. É querer garantias para tudo e colocar o sofrimento e a perda como um inimigo em potencial a ser evitado. Evitar sofrer é o passaporte para a prisão emocional. É nunca apostar as fichas em nada por medo de perdê-las. É esquecer que não somos nem as fichas, nem o jogo e que podemos ser feitos de bobo a qualquer momento. E tudo bem, não há nada a perder. Podemos recomeçar do zero a qualquer momento em qualquer lugar. Teremos a garantia de apenas uma coisa, estaremos ali onde estivermos. Essa é a pedra fundamental da confiança de alma.

O orgulho é aquele imperador preguiçoso que sempre tem muito medo de arriscar. Aprisionado em sua majestade ele é incapaz de agir de fato, afinal o império psicológico que ele construiu é grandioso. Ser questionado, corrigido, rejeitado ou passado para trás é um pecado mortal. Como alguém poderia colocar um imperador em segundo plano? Quando você acha que tem muito a perder sua liberdade é menos que um grão de pó.

Seja na cama, na mesa, no banho, na roupa ou na vida se você tiver a visão errada, medo demasiado e muito pelo que arriscar sua vida será limitada. Sua liberdade será só uma esperança vã.

Gosto da cena final do filme “O náufrago”, o personagem principal que após perder absolutamente tudo num acidente quase fatal de avião e permanecer sozinho numa ilha por quatro anos se vê numa encruzilhada. Finalmente poderia seguir para qualquer lugar.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Ser uma mina... eis a questão...

Acredito que este seja um dos textos que mais analisei para escrever.
Não pelo título acima, mas pelo o que fiquei analisando e os papos que minhas amigas e eu andamos conversando nos ultimos dias.
Fazer parte de qualquer grupo social não é facil... se envolver em algo ou com alguém, também requer muito trabalho e disposição... e nem todos estão muito afim disso.
Há dois pontos neste texto que gostaria de auto filosofar e convido a quem estiver afim de analisar.

Gosto muito de analisar ambientes em que me encontro com diversos tipos de pessoas... e não há lugar mais rico do que isso do que o metrô. Não reparo como a pessoa esta vestida assim ou assado... se esta limpa ou não etc... Analiso seus gestos, suas expressões, e como agem e reagem quando estão conversando com alguém. Isso ao meu olhar mais demorado... e com fundo musical todo rock que puder escutar neste poucos segundos ou minutos de observação. 
Outro dia vi duas cenas lindas.... Uma era um casal de namorados, que poucas vezes vi, de forma tão carinhosa abraçados um ao outro. Falavam e se olhavam de forma muito especial... com certo respeito e admiração que realmente quem tiver um pouco de sensibilidade e quiser ver... das poucas cenas raras da demonstração de sentimentos em gestos bem sutis.
Outra, era uma menina de pouco mais de cinco anos, sentada no colo de seu pai, acarinhando seu rosto e o olhando de forma tão peculiar, que apenas um olhar infantil é capaz de fazer... com sua chupeta na boca balbuciava algumas palavras... e seu pai abria um sorriso a ela, que apenas a fazia rir ainda mais.
Estas duas cenas entraram de encontro a um pequeno papo que minhas amigas e eu tivermos outro dia sobre a forma de demonstrações de afeto e carinho das pessoas em geral. Sentíamos que os laços que unem as pessoas estão ultimamente muito frágeis... qualquer crise ou contrapostos de opiniões é motivo para brigas intensas... ou até separações. Muitos casais de amigos estavam assim e isso fazia o nosso papo ser uma analise para qual gaveta vai aquele sentimento que expus e não foi correspondido?!
Mas, outra questão foi levantada por minha amiga...O que é ser uma mulher nos dias de hoje? Ou melhor, no palavreado mais largado: o que é ser uma mina?
Muitos de nossos amigos acham que mulher mesmo, é aquela que você pode falar o que quiser... ser você mesmo... não precisar fazer tipo... curti o lugar porque a companhia é boa, e não apenas porque o lugar é assim ou assado... e que come o que quiser sem ficar com culpa depois... rs. E sem esquecer... que ela terá que ter a sensibilidade e a feminilidade de alguma forma demonstrada em seus gestos e palavras.
Bom... ai vem as cenas que descrevi... para mim elas foram cenas de uma delicadeza feminina, rara aos dias de hoje. E cada qual ao seu tempo, e necessidade do momento.
Mas a pergunta a seguir era: mas o que achavamos sobre aquelas mulheres que em sua vaidade, se pintavam, colocavam seus saltos e saem pela vida afora? ( e faço aqui uma ressalva de que, eu (como mulher) tenho minha vaidade, oras mais ou menos... mas há momento para tudo... até para sair montada na pintura e no salto rs)
Foi ai que falei uma situação para minhas amigas:
- Poxa... as vezes, é dificil para certas mulheres saírem desse arquétipo. Por que, a vaidade acaba dando uma "segurança" para elas... sendo que para outras, nem precise de tanto... apenas do básico... e este básico é pouco ou quase nada para algumas. Minha professora outro dia deu advertência para várias garotas da minha sala por conta disso... Porque não conseguiam deixar a vaidade de lado... só por poucos momentos.. ou algumas horas... Vaidade não é sinônimo de feminino... O feminino é tudo... é essência... é atitude... é maturidade ao ir e vim dos anos... Acredito que há poucas mulheres trabalhando nisso ... e acaba parecendo tudo muito igual...
Como diz uma letra dos Engenheiros do Havaí: .... todos iguais mas tão desiguais... uns mais iguais que outros...


sábado, 24 de março de 2012

O laço e o abraço - Mariza Cordeiro

Meu Deus! Como é engraçado!



Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas?


Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto:


Está dado o laço.


É assim que é abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.


É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.


E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?


Vai escorrengando…devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.


Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.


E , na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.


Ah! Então, é assim no amor, a amizade.


Tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita?

Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz; romperam-se os laços.

E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.

Então o amor é isso…

Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.




sexta-feira, 23 de março de 2012

Se liga no ligamento!

Como de costume sem cair na rotina... marcamos uma rodada de café filosófico na padoca. O engraçado que o papo acaba trazendo o amigo do amigo daquele amigo... E acaba se fazendo outros links dos mais variados assuntos.
Um de nossos amigos, comentava sobre fulano que tinha rompido o ligamento tendíneo ( famoso tendão) do pé esquerdo... e que ficaria de molho para lá de um mês e que tínhamos que fazer uma visita.
Uma de minhas amigas que estava com cara de filtro de café coado veio com esta:

- Ah meu.... pra mim não rola... Se quiserem ir de boa... Eu nem conheço o cara... aliás, nem vou com a cara do fulano.

Ficou aquele ar de surpresa por ela dizer da antipatia sobre nosso amigo, e num gole de café,... meu amigo dispara:

- Então meu... nem sei porque você não vai com a cara de fulano, mas ele sempre lhe achou uma mina legal...  É estranho você dizer isso...

Nesta hora houve um relato de virtudes e defeitos... de todos que podiam estar ou não naquela mesa...
Nesta hora só me veio cortar aquele assunto embaçado da seguinte forma:

- Não sei se tem a ver gente, mas acho que dá uma boa reflexão...

Todos: Conta...

- Então... esta semana meu professor de anatomia, contou um lance filosofico que ocorre com todos ... sem exceção... onde carregamos um pedaço de nossa mãe dentro do nosso corpo.

Amigo: - Nossa... mas isso ai não é o umbigo!?... Que eu saiba é isso???

Amiga enfermeira: Queeeee manoooo... deve ser alguma cicatriz interna.... Umbigo não é nada no nosso corpo.. você pode viver sem ele...

Amigo 2: Credoooooooo... viver sem umbigo.... com o que eu vou ficar brincando no banho??? kkkkkkkkkkkkk

Todos: Putzzzzzzzz... mas que tosco!!!

Eu: Carassssssssss.. deixo eu contar... o lance é simples: Imaginem só... quando nascemos, é cortado o cordão umbilical... e nisso existe o ligamento que faz a alimentação da mãe para o bebê... então este ligamento após este desvinculo, ele contrai... e fica sendo chamado de ligamento redondo, porque era este canal de vinculo entre os dois seres... e é o vestígio de lembrança que fica de nossa mãe, ele se localiza entre um dos lobos do fígado. Todos os mamíferos tem isso.

Todos com cara de paisagem... e continuo...

- Isso além de me fazer de lembrar de minha mãe... ( ela já fez a passagem dela)... Eu fiquei tão tocada com esta informação... porque imaginar que você carrega uma prova fisica dessa ligação é muito profundo. Como o gerar uma vida é algo extremamente sério para natureza... e não levamos isso na mesma proporção...
Mas o outro ponto que me fez pensar é as tais ligações que temos com as pessoas...Algumas de formas fisicas, emocionais, mentais... até intuitivas... E este ligamento vem muito de encontro ao conceito de ligamentos que existem em nosso corpo... Porque todo desligamento é dificil... em qualquer desses niveis que citei... Fiquei refletindo muito sobre o desapego... mas este relato do ligamento redondo só me fez crer que podemos administrar o que não faz mais parte de nossas vidas... mas que de alguma forma sempre vai esta lá... em algum lugar escondido, ou bem arrumado em alguma estante... ou guardado em alguma caixa... etc... Nada é esquecido ou excluído.

Amigo 3: Como assim?

- Veja só... nosso amigo rompeu o ligamento... A dor deve ter sido imensa.... E a maioria de nós sabe o que ele esta passando... Há pouco tempo ele rompeu um namoro de anos... Não posso ignorar que o fato tem muito a ver... Logo após o desligamento afetivo... o que ele fez??? Caiu no trampo... não tinha nem tempo para sair com a gente... Acredito que a vida fez isso... o corpo dele rompeu algo fisico... para ele parar fisicamente e assim  descansar... pensar, analisar, chorar, sofrer.... seja o que for... Mas ele tem que se dar este tempo... é meu ponto de vista...

Após alguns minutos de silêncio e de comilança.... não sabia ao certo que tinha sido clara... e um dos meus amigos quebra o silêncio...

- Poxa Cá... sabe que faz sentido... tô aqui pensando... o cara precisava parar... ele estava um saco... um porre... precisava disso mesmo... Aliás cara.... isso dá até uma música: Se liga no ligamento...rsrsrsrs

- Putzzzzzzzzzz.... menos meuuuuuuuu... música filosofica já é demais...

Amigo: Mas meu olha só... em pensar que o dia que tiver meu filho... ele vai ter um ligamento de mim....

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.. Risos gerais...

Amigo 2: Masssssssss Burrrooooooooo... é só de mãe para filho cara.... você é mano!

Amigo: aaaaaahhhh é.... vacilo meu... então... eu só tenho da minha mãe... e do meu pai nada???

Amiga: Sua cara de minhoca já serve de prova que você é filho de seu pai!!!!

Comas risonhos!!!!kkkkkkkkkkkkkkkk

E nova rodada de café!




quarta-feira, 21 de março de 2012

Praticidade?!

Tenho uma amiga queridissima...Na qual não posso ficar muito tempo sem noticias suas devido nosso alto papo de filosofia e gargalhadas sem fim.

Entre muitos papos... questionamentos e confissões... eis que ela me surge com um ponto na questão sobre ser prático que nunca tinha analisado pela ótica que ela me mostrou:

- Sabe Cá... toda pessoa que é muito prática... pode analisar... é uma pessoa muito frágil. Ela esconde atrás de toda aquela ação... aquela necessidade de resolver tudo sem maiores complicações etc... Fragilidades cruéis diria... Porque quando você começa a questionar o fulano sobre o "porque" está fazendo isso ou aquilo... ou mesmo quando vc começa a dialogar algo mais profundo e pensativo... Pimba!... Você irá ouvir um tipo : não tenho tempo para isso... pensar demais sobre isso não é comigo e tal....

Eu fiquei analisando profundamente comigo... e também algumas pessoas que achava extremamente práticas.. e que achava que eram pessoas fortes etc e tal.... Mas ai fiz a pergunta:

- Mas amiga.... pq vc acha isso? qual parâmetro vc está usando?

- Então... ser prático nunca  é o correto... vc acaba errando muito... demais... e mais, vc acaba atropelando pessoas, situações etc... e magoando sem vc saber... Pouco se importando o que outro está passando naquele momento... Praticidade demais... por vezes não faz vc ser intimo... Pq o prático esta querendo resolver o problema... Só que as vezes não tem problemas a serem resolvidos... vc só quer falar de vc... Diria que vc teria que ser muito equilibrado para ser prático e usar uma dose boa de sensibilidade e sem dúvida empatia!

Lógico que sai da casa de minha amiga me analisando... e vi que fui muitas vezes assim.. atropelando várias situações em busca de solucionar... Solucionei... mas devo ter machucado alguém neste trajeto...

A vida as vezes pede que sejamos práticos... sem muitos dramas com nossos problemas... que sintamos logico a dor e a alegria,... mas veja, ambas irão passar... tanto o bom ou o mal momento irão passar... e ai vem o nosso lado prático em fazer um diálogo sincero.. e ter o PRAZER de se analisar e ter uma conversa franca consigo.

Às vezes, fico bem cansada em ouvir e perceber pessoas que não são profundas nelas e acabam não sendo com as pessoas... Pensam apenas o necessário para sua sobrevivência, esquecendo de buscar serem pessoas melhores a cada dia.
Lógico... si melhorar dá trabalho... conhecer o outro também... entender o ponto de vista e si envolver então... muito mais.... Por que para alguns ainda é muito comodo não precisar se preocupar com isso... o que ganharei?!

Pois é,... parece bobo,... mas muitos estão assim.... á passeio.... e esquecendo de sentir o percurso... dessa chamada vida.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dei-me a visão além do alcance

Sempre fui uma pessoa muito observadora ao que ocorre ao meu redor... Mas uma coisa que sempre me fascinou foi quando estou conversando com alguém e além de ouvir atentamente o que a pessoa esta me dizendo é o a conexão entre o que ela esta falando e o olhar que ela me transmite.
Aquela historia de que os olhos são a janela da alma é verdade... Mesmo porque dentro do estudo anatômico, os olhos são compostos por tecido conjuntivo, ou seja, é a unica parte feita de mucosas extremamente exposto... e por isso seria colocado também uma janela para uma fácil infecção.
Mas filosofando sobre a verdade além dos olhos... Nunca esqueço uma vez uma situação que passei há alguns anos. Eu admirava muito uma pessoa na qual tinha uma amizade de longa data... porém, um certo dia, não sei por que, alguma coisa não estava si encaixando... Comecei a perceber certas contradições o que a pessoa me dizia... e quando a questionava ela dizia que eu tinha entendido de forma errada... Enfim, sendo isso ou não... um dia fiz um teste muito particular.... Pedi para que ela relatasse um fato que ela estava dando a entender que ela era a vitima de tudo. Ela começou a relatar... eu comecei a ouvir... e prestando atenção no olhar dela e foi ai, que no exato instante,vi que seu olhar sempre se esquivava para a esquerda dela. Bingo! Estava mentindo.
Como eu percebi isso? Um dia li em um livro de neurolinguistica de que quando alguem esta mentindo, esta usando o lado criativo do cerebro, que seria o direito que faz conexão com o lado visual esquerdo... então quando alguem esta si lembrando de algo, irá olhar para o lado direito, que significa o lado concreto/razão.
Nunca comentei isso com esta pessoa, nem desmascarei... apenas fui me afastando aos poucos e isso foi a melhor coisa que fiz para ambos.
Mas houve momentos que pude também ver sentimentos muito belos dentro dos olhos das pessoas: quando alguem diz a verdade nua e crua na sua cara... você pode até achar a maior crueldade no momento... mas o olhar firme e ao mesmo tempo carinhoso, mostra o quanto aquele ser a sua frente lhe quer muito bem .

Quando assistia o desenho dos Thrundercats, eu simplesmente adorava, quando Lion, usava sua espada e com um olhar profundo, dava a ordem: Dei-me a visão além do alcance!... e lá se mostrava através do olho de thrundera toda a verdade que os olhos pudessem ver. Ia desde uma situação do passado, presente ou futuro... ou mesmo se a cena tinha ocorrido mesmo conforme as outras personagens contavam.
Se o ser humano tivesse este poder... ou estariamos numa catastrofe comportamental, ou as pessoas iriam pensar muito mais em suas vidas e perceber que certos atos dão sim, consequências à outros.

Como está sua visão de thrundera??? tem usado bem seu sexto sentido? seu feeling? 

Eu uso... e mesmo que eu não queira... minha visão vai muito além do meu olhar....


Agradeço a foto belíssima cedida por Júnior Dragoni... Thanks!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pensamentos, palavras, sentimentos e gestos: Tesão Intelectual


- Aaaah Cá... Tesão intelectual é tudo que dá prazer de ouvir. Não essas lorotas insignificantes que as pessoas amam vomitar quando estão bêbadas em uma roda de amigos ou jogam qualquer porcaria levianamente nas mídias sociais. O tesão intelectual tem que te causar prazer no dialeto. É você conseguir entrar na mesma sintonia verbal. 
Infelizmente, não é em qualquer lugar que encontramos quem nos proporciona tal prazer. Acho que por isso as pessoas andam tão socialmente preguiçosas. Fora que, pra fazer isso com sinceridade (pois certamente funciona igual a um relacionamento mesmo), é necessário que você entenda perfeitamente o que o outro quer dizer, ou se você está ali sem entender, que se permita à isso. 
Há uma troca, uma cumplicidade e uma lealdade no prazer intelecto. Você não pode entrar com pretensão de sair. E se torna ainda mais gostoso se é feito com paixão... sentiu a semelhança?

Minha querida amiga Misheilas (codinome pessoal rs), compartilhou comigo de forma simples e inteligente sobre o que é, na sua visão, o tal tesão intelectual. Devo ressaltar que tento escrever este tema há meses, mas veja que interessante: aquilo que é o mais simples é sempre o mais difícil de si colocar no papel, aqui no caso digitado. Mas numa roda ou outra de amigos, papo vai e papo vem, sempre jogava esta pergunta aos meus companheiros (as) de café filosófico – O que lhe dá tesão intelectual ou o que é tesão intelectual para você?
Entre um silêncio e outro de pensar, um querido amigo solta esta:

- Poxa, tema complexo e complicado rsrsrs... mas deixo analisar. - ( mais algumas horas de reflexão e o papo continuando e já tinha até mudado) eis que:
Então, já sei: O que me dá tesão intelectual é ouvir das pessoas as coisas simples da vida. Vivemos em tempos em que tudo está supervalorizado, como o trabalho, estudo e informações bombardeando nossos ouvidos a todo momento. Mas acabamos nos esquecendo dos gestos simples da nossa vida. Como exemplo, gosto muito de viajar, para qualquer lugar, para cidades pequenas e ouvir dos personagens de cada local as suas histórias de vida. Quem me vê ouvindo estas pessoas, pensa que estou jogando conversa fora, mas na verdade, aprendo muito ouvindo este tipo de gente. Todo ser humano tem algo a nos ensinar e aprender desta maneira, ouvindo suas histórias simples, é minha forma de ter tesão intelectual. Posso passar horas conversando com estas pessoas.

Achei lindo, esta outra forma de tesão intelectual do meu digníssimo amigo. Mas da minha parte, muitas pessoas e assuntos me dão tesão intelectual. Uns mais outros menos, mas uma conversa descontraída, inteligente e sensível sempre atraiu e instigou minha mente.
Das dezenas de pessoas que converso todos os dias, há um querido ser que mesmo pela Matrix, faz minha mente sentir este tipo de sensação tão prazerosa. Nunca disse isso a ele, mas alguns papos e idéias que filosofamos sem compromisso de dar um texto, foram verdadeiros orgasmos intelectuais ao meu sentir. Parece brincadeira?! Mas não é! Juro!
Meu estimado Serzinho ( no qual escrevi e descrevi neste blog), foi um dos poucos seres que tive a felicidade de conhecer que consegue me deixar neste estado tão filosófico.
É raro e muito difícil ter isso com alguém ou mesmo por algum assunto... algumas pessoas não se dão mais o tempo de si conhecerem, perdeu-se o encanto de saber quem é o outro. Apenas ouvir e observar o que a pessoa esta querendo lhe dizer, mostrar, interagir de alguma forma... e para isso é necessário o tempo, disposição e prazer em conhecer o outro.

Concluo que para mim, tesão intelectual é: O prazer e a felicidade que tenho em estar e conhecer pessoas maravilhosas, com potenciais incríveis de sentimentos e pensamentos, que a cada conversa seja ela de minutos ou horas, posso vislumbrar sua essência como um bom livro a ser lido, de várias formas e diversas vezes. È ainda, sentar na frente do computador ou apoiar minhas folhas em branco em meu colo, e escrever todas as minhas impressões e pensamentos... em seguida compartilha-los de forma singela com estes mesmos seres maravilhosos.. e tantos outros que nem sei ainda... Mas esta é a magia da boa comunicação... do tesão intelectual!

Nota: este texto ofereço para Misheilas, Marcel Agarie por suas belas contribuições e em especial para T. Guy. Obrigada sempre!






sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A criança cresceu...


É engraçado quando por vezes me pego com alguns pensamentos pra lá de nostálgicos.

As vezes tenho mania de deitar no chão do meu quarto, ficar olhando para o teto enquanto ouço minhas músicas favoritas... aliás, são quase sempre as mesmas.
O que isso poderia acarretar? Lógico... caio no sono ali mesmo no chão... e muitas das vezes é papai que vem me acordar num gesto típico que  ele faz comigo desde minha infância: ele apenas puxa um dos meus dedos dos pés e diz: Mila, vai dormir na cama. – eu lógico, digo: Já vou... – Pior que esta cena se repete umas três vezes até eu arrastar meu corpo até a cama.
Num desses arrastões que resolvi por minha mente a pensar sobre quando percebi que não era mais uma criança, e que poderia de certa forma ‘virar-me sozinha’.
Desde aonde lembro, já fazia muita coisa sozinha: ia para escola, servia-me para comer a hora que a fome batia, fazia os serviços triviais em casa... mas foi aí que veio uma lembrança clássica...
Lembro que quando ia dar boa noite para papai, ele sempre vinha até minha cama, me dava um beijo de boa noite, cobria-me como só um pai sabe fazer e abençoava meu sono. Este gesto tão simples e profundo de papai, foi o laço que uniu a minha confiança, carinho e meu único amor verdadeiro a ele.
Mas não sei por que mas um belo dia percebi que nem eu e nem papai, fazíamos mais nosso pequeno “pacto” noturno... Eu não ia mais até ele e ele por sua vez, não vinha... ficava no boa noite... mas o gesto de ir até minha cama, não havia mais. Lembro que tinha por volta dos meus 13 anos... e naquela época não tinha caído minha ficha neste sentido que não era mais uma criança... a síndrome de Peter Pan tinha ido embora... sentia e via as mudanças em minha volta, no meu corpo e na minha mente... e que estava dando adeus ao meu mundo infantil. De certa forma, já tinha afincado alguma bandeira de independência que não sei bem aonde... mas de certa forma, a vida estava pedindo isso bem sutilmente.
Penso que deve ser difícil quando o pai percebe sua filha crescendo... mesmo morando embaixo do mesmo teto... ele vê que ela não é mais sua e sim do mundo.
Hoje, mesmo estando na minha maturidade de mulher, sei que perto do meu pai, poderei ser em certos momentos aquela criança que um dia ele carregou e colocou para dormir varias vezes... Não preciso ser mais nem menos para ele... e esta é a graça e a magia de tudo... a felicidade de ainda ser filha.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Calça Jeans e camiseta branca...


Há poucos dias, estava conversando com uma querida amiga pelas ruas dessa selva de pedra... quando vi um rapaz atravessando a rua. Até ai normal, foi quando me virei a minha amiga e disse:

- Sempre achei tão lindo um homem vestido daquele jeito: Camiseta branca e calça jeans... não existe nada mais simples e mais básico que isso...

Ela olhando e verificando disse:

- Mas o cara não é tão bonito assim... rs... Eu também acho bonito mas tem outros looks que eu curto mais ....

Tive que começar o texto com este diálogo, porque a idéia filosófica que quero passar é algo muito além de uma vestimenta básica... é algo que me acompanha há anos... desde o despertar de minha consciência neste mundo...
Nunca comentei no blog, mas sempre fiz um link muito profundo e tênue entre a filosofia e a espiritualidade (indiferente de qualquer religião, pq não irei mencionar nenhuma aqui e nem me cabe dissertar sobre isso), é isso que move minha vida e dá sentido a ela no meu ato de acordar... tanto fisicamente como no mundo dos meus sonhos. A camiseta branca e a a calça jeans faz parte dessa linha tênue.

Alias meus sonhos sempre me assustam... Nunca fiquei sem respostas na vida... mesmo que demorasse um certo tempo para entender o seus significados... e muitas vezes sem pedir as tais respostas, elas vinham.

Desde criança, sempre tive insights e conversas profundas comigo... Ouvia uma voz que vinha dentro de mim, quando algo estava errado, ou não entendia o por que daquilo esta acontecendo... poderia ser desde uma frase inteira ou apenas uma palavra... mas sempre a obedecia e seguia seus conselhos.

Mas o fato é que, no mundo dos meus sonhos um ser sempre vinha me visitar... fazia-se e ainda se faz presente nos meus sonhos...
Percebo que ele tem a minha idade física, quando criança sonhava com um físico de criança... e hoje, ele é um homem. Não vejo seu rosto, nunca o vi... mesmo olhando para seu semblante, não fica nada de lembrança quando acordo... Só lembro que ele tem sua pele branca, cabelos pretos, e incrivelmente sempre usando a mesma roupa... calça jeans e camiseta branca... mudando as vezes para uma de manga comprida parecendo linho.
Ele sempre me traz muita paz, calma, que no fim tudo vai dar certo... Como se realmente soubesse o que eu estaria passando naquelas circunstancia de vida.
O mais incrível disso tudo... que ele sempre aparece em semanas, que minha alma esta inquieta... como se eu quisesse fugir, ir embora... cansada emocionalmente e mentalmente dessa vida terrena... tentando ser controlada e manter a flexibilidade com os outros seres humanos que encontro pelas minhas andanças.

Na sua ultima aparição,... sonho sempre com um mesmo lugar... seria difícil descrever aqui... Não encontrei nenhum lugar que si assemelhasse com este que tenho em mente... mas o céu é algo surreal... os tons são calmos e vibrantes... Tem um cheiro que o vento trás que são mistura de varias flores... E a calma do ambiente é tudo que sempre peço quando adormeço e que minha alma vai buscar... Olhando e sentindo tudo isso, ouço uma voz atrás de mim, aproximando-se e dizendo:

- Por que você está fazendo isso de novo? Não percebe que há tantas coisas para serem realizadas aonde você está?...

Eu me viro e o vejo... com  a mesma roupa e a mesma calma eterna de sempre. Sorrio e digo:

- Ficaria aqui para sempre se pudesse... mas não posso, porque é isso que vc me lembra sempre... dos meus deveres, obrigações e por fim preocupações... Acho que estou chata demais estes dias... estou inquieta... sinto uma saudade que não é minha... Algumas pessoas me cansam... suas limitações, seus vitimismos... suas desculpas incessantes... Relutância em mudar... a culpa sempre é do outro. Sinto-me parada na vida... ou será que estou me cobrando demais?...

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa... só vi ele me abrindo os braços e dizendo:

- Você esta esquecendo até dos meus abraços? Rs

Com uma certa vergonha do meu esquecimento, fui ao encontro do seu abraço... E sempre quando isso acontece, cai de mim, lágrimas... não de tristeza... mas da alegria de poder esta ali nos seus braços... que não preciso dar maiores explicações... Ele me abraça de forma tão terna, tirando de mim qualquer aflição que esteja em meu ser... ou seja, tudo vai dar certo... tenha fé!
Ele afaga meus cabelos, aperta forte contra seu peito, e descanso minha cabeça em seu ombro... por vezes ate adormecer e acordar nesta tal “realidade”.
Mas dando uma pequena conclusão ao diálogo iniciado, mesmo durante o abraço, ele diz:

- Você sabe que isso nunca vai acabar... tem todo direito de sentir e dizer isso... Só fico triste quando você começa a si isolar de você mesmo... Você esta descobrindo outros lugares dentro de ti... é só isso...

- (dei um riso irônico)... estou chata! Rsrsrs Você é muito diplomático quando quer me dizer que estou sendo imatura... Pergunto qual minha finalidade... estudo tanto... reflito tanto... sou um tanto impulsiva com algumas pessoas... Mas algumas são tão superficiais... esta difícil agüentar isso, sabe?! Não sou melhor, longe disso... aaahhh.. sei lá... deixa pra lá... e vc? O que tem feito?

Nestas horas, lembro que ele sorria ( mesmo sem lembrar do seu sorriso), ainda em seus braços, ele mexia em meus curtos cabelos rs... Sentia sempre os raios do Sol... tocando minha pele... como se fosse uma coberta quentinha num dia de inverno... ele dizia:

- Não muita coisa... tenho estudado muito... trabalhando. Mas sempre penso em você, sempre estou junto de você... em pensamento... Lembra da força de um pensamento? De uma vibração? Algo tão simples... pode fazer maravilhas para as pessoas como pode destruí-las... e posso esta em outro Universo... e você irá sentir... Você anda com suas antenas muito ligadas... precisa descansar mais, dormir mais...
Ouvia tudo isso, e no fundo eu sabia... Minha mente pulsava em dias numa rotatividade enorme...

- Preciso renovar minha fé de novo... ( dando um profundo suspiro)

- Também... mas não é tudo... Eu sei de suas dúvidas... há tanto tempo conversamos, não é?!

- Tenho sempre a sensação, que qualquer dia não lhe verei mais... Que estarei neste lugar e você não virá... Com quem conversarei?

- Não diga isso... se isso um dia ocorrer, eu vou lhe avisar...  Não se preocupe com isso, vamos andar um pouco... daqui a pouco você vai ter que voltar.

Lembro que realmente íamos andar... e pedia para irmos visitar os cavalos... Amo cavalos... e eles estavam sempre lá.
Pedia para ir toca-los... e ia. Acarinhava as crinas e seu dorso... e aquilo me acalmava demais... Acho que sorria como uma criança quando via pôneis rs...

Meu companheiro de caminhada... veio com a proposta:

- Por que não cavalga um pouco...? Te faria bem... Eu puxo ele para você...

E assim foi... lembro ter cavalgado... e ele me dava certas instruções... que só trouxe para minha realidade como uma leve lembrança.

Chegamos ao um jardim, sentamos num banco... e sentia que tinha poucos minutos para despedir dele...
Ele me abraçava, e me dava um longo beijo na testa, pegava minha mão e a beijava... E dizia:

- Vc entendeu o que conversamos? Tal dia nos veremos de novo... Quando se sentir cansada, lembra desse lugar... fica mais fácil para vim lhe ver...

- Obrigada... sentirei saudades... como sempre Rs...

- Eu também...

Puffff... acordava para mais um dia de realidade...

Engraçado, mas nunca escrevi sobre ele... Não sei quem é ele exatamente... Alguns lendo isso diriam: mentor, anjo, amigo espiritual, alguém da minha imaginação... seja o que for... ele é tão real como qualquer dor sentida na pele, ou qualquer situação que seja o mais perto dessa realidade.
Quando acordo, sou outra pessoa... Como se eu tivesse me encontrado novamente, renovada, serena comigo... e tudo aquilo que tinha sentido, jamais tivesse existido... tudo foi embora. Agradeço muito, no dia seguinte este encontro.

A vontade de escrever isso veio de forma bem natural... até para ir de encontro a proposta que fiz comigo em articular tudo o que acredito ser belo e proveitoso em escrever no blog. E ele, é parte disso...


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ornitorrincos, Koalas e afins


- Mas amiga... me tire uma dúvida de séculos: Se o ornitorrinco é mamífero, bota ovo, tem pêlos etc... aonde esta as glândulas mamarias da fêmea? Digo... como ela amamenta seus filhotes?

Este papo pra lá de NERD... estava sendo desenrolado na nossa sempre padoquinha filosófica, regada a muito café e uma dose ótima de filosofia cientifica.
Minha querida amiga, formada em biologia, tirava certas dúvidas do meu ser inquieto a curiosidade da vida em geral... Foi ai que descobri algo interessantíssimo sobre este animalzinho.

- Então, é assim: Eu mesma acho uma coisa fora do normal... por isso acho que os animais são muito mais adaptáveis que nós, ditos humanos. Eles são classificados em um dos subgrupos de mamíferos, então quando a fêmea bota seu ovinho, os filhotes eclodem deles, rapidamente  a fêmea começa a se concentrar e fazer força em todo seu corpinho para que saia em uma de suas varias glândulas que existem nele... uma misera bolinha de leite... rica em gordura e tudo mais que o filhote precise... ai o filhote vai lá e chup, chup, chup... fica chupando aquela bolinha de leite super condensada srsrsrsrs... Muito estranho, não acha?

Coma risonho geral!!! Rsrsrsrsrsrsrsrs

- Como assimmmmmm??? Vc está falando sério??? È assim que ocorre? Nooooosssaaaaaaaaa.. Impressionante!!!! Adorei saber isso!!!

- E outra coisa, vc não dá nada para o bichinho, mas o macho tem um ferrão na ponta da sua cauda que parece um rabo de castor... e na frente tem garras super afiadas e as patinhas traseiras são pés de pato... Ou seja, é a coisa mais estranha se vc for pensar... não se dá nada para o bichinho... mas mexe com quem está quieto... e vc olhando para ele é a coisinha mais fofa! Rs

- É verdade... Mas e os Koalas??? Como é que eles se defendem? Porque vamos concordar... qual a utilidade do koalinha? Eu acho super fofos... mas e se alguém que pegar o koalinha para comer , e ai?

Minha amiga e eu não nos agüentávamos de rir... porque de certa forma olha só o nivel do papo... Bichos estranhos, com comportamentos estranhos e num ponto tivermos de concordar: Se o bicho é estranho, é pq  mora na Austrália, rsrsrsrsr!

Sobre o Koala:

- Então... que eu me lembre, ele não faz muita coisa... quando ameaçado ele só se defende si escondendo... por isso ele fica sempre na moita das copas das arvores, e quando estes bichos aparecem em público é pq já sabem que não si tem ameaça ali. Só isso.

- Mas que bicho bobo... alías, diria pacifico demais.... Noossaaaaa!

- Mas veja bem, tem muita gente Koala por ai... só si esconde...rsrsrsrsr

- É... de certa forma sim... Ornitorrincos não vejo não... pq eu não tenho nem idéia como definiria uma pessoa-ornitorrinco rsrsrsrs... Só em pensar no bicho eu nem consigo dizer o que é direito... por mais que me definam de forma cientifica rsrsrs...

Foi então que minha amiga disse uma frase que achei uma sacada sensível:

- Mas assim: não é porque vc tem uma aparência comum ou hábitos corriqueiros, que vc não pode ser bonito...

- Nossaaa amiga... concordo total. Arrasou! Aqueles seres que vc não dá nada... são as que mais surpreendem no bom sentido, claro! Parece que vc deu esta opinião de forma bem pessoal, não?! Rs

- E não é?! Rsrsrsrsrs. Uma coisa lhe falo... o que aprendi na faculdade é: Que eu sou igual a uma minhoca... isso foi o que a biologia ensinou-me... Não sou melhor que nenhum animal dessa terra. Digo mais, acho que o ser humano fosse extinto da terra, a natureza seguiria seu fluxo normal... a cadeia alimentar iria se estabilizar até melhor... mas faça o contrario, tire tudo do homem... o que sobra? Nada... porque não sobrevivemos a nada... nem as bactérias mais simples, somos propensos a infecções etc.

- É amiga... não tiro sua razão não... Eu posso dizer pelo o que vejo em meus estudos... Da beleza do corpo humano, mas ao mesmo tempo, toda sua fragilidade, em todos os sentidos... Chega ser triste se vc for pensar muito... Mas enfim... estamos ai.... para alguma finalidade...

- Por isso que para conversar sobre este papo preciso por a droga da cafeína no meu corpo... mais uma rodada de café?

- Demoro! rs





terça-feira, 29 de novembro de 2011

Como você vai querer sua abobrinha hoje?


Já citei aqui, vários papos filosóficos que tenho com uma amiga super querida de longa data.
Há pouco tempo, estávamos ambas filosofando sobre um link de personalidade no qual havia enviado a ela por e-mail. Estávamos expondo situações em que ambas passamos em algumas fases da vida, mas queria saber sobre o ponto de vista dela... Por que? O texto tinha tudo relacionado o modo como a via em certos momentos... digamos que foi uma análise feita em dupla... ela lendo, eu ouvindo e em seguida fazia as perguntas relacionadas a frase por ela dita: “ e ai? O que você faria?”. Simples assim. Mas que rendeu uma tarde inteira mais um começo da noite rs... só isso!

De certo modo, tudo estava batendo com a personalidade dela, valores, conceitos etc... Porem, num certo momento, uma dessas frases era mais ou menos assim: Você não tolera pessoas que trazem papos do tipo “abobrinha”,... você as descarta ou apenas dá de ombros como que não fosse contigo o assunto.”

Automaticamente minha amiga disse em forma totalmente comparativa esta afirmação:

- Concordo com isso! È verdade! Eu trato estas pessoas que falam abobrinhas da seguinte maneira: Primeiro... vou refogando elas até certo ponto... quando vejo que a demanda de abobrinhas esta muito grande, e não estou dando conta, vou plantando isso em pequenos vasos...  não posso plantar na terra direto, porque poderá criar raízes e ai esta “pessoa abobrinha” não sairá mais de perto de mim... e isso eu não quero!

Lógico que entrei em coma risonho... Como assim???? Pessoa abobrinha???? Rrsrsrsrsrsrs

Ela vendo meu estado, pediu para que eu respirasse e continuou seu raciocínio de outra forma:

- É sério... pensa comigo: Se eu planto a abobrinha ou sei lá, imaginamos esta pessoa sendo uma planta, e vc faz sua morada fixa num vaso... vc poderá mover esta vaso-pessoa para qualquer lugar... ali, aqui, acolá... OK?! Vc vai administrando isso... Porque sempre vou respeitar a pessoa, o ser humano... Mas se eu a fizer ser uma planta fixa... terei que plantar na terra, próximo a mim... e eu só faço isso com pessoas que eu gosto muito...  pessoas que tem uma essência profunda, ... ao contrario de pessoas superficiais que são estas pessoas-abobrinhas.. Entendeu?

- Lógico que entendi... mas confesso que jamais imaginei que vc fosse fazer esta comparação rsrsrsr... Sabia que vc era flexível em seus atos... mas esta vc arrasou! Rs

Voltei para casa pensando nesta analogia de minha amiga de forma serena...  Papos fúteis sempre foram algo que tive dificuldade para administrar... Normalmente minha reação é ficar calada e minha mente vagar para algum ponto do Universo ou Sistema longínquo qualquer... Mas fazer vasinhos dessas abobrinhas nunca pensei... poderia virar uma plantação de abobrinhas... ou então, elas morrerem por si só.
Mas outro ponto que veio em minha mente nisso tudo era o fato que muitas pessoas-abobrinhas talvez não soubessem que elas criam abobrinhas. Vem aquele lance, de que cada um esta  num ritmo, evolução, entendimento de vida muito distinto de cada um.
Percebi que no meu convívio diário com varias pessoas... poucos tem o prazer e se dão o tempo de filosofar consigo e com o outro... ou seja, as abobrinhas serão inevitáveis... Poderia também já ter dito muitas abobrinhas por ai e ninguém ter me dito nada sobre... Muitos poderão ler este texto e perguntar: Ok.. já entendi... mas o que seria a tal abobrinha dita?!
Muito simples caro leitor... Tudo aquilo que é expressivo de fora para dentro... Eu fiz, eu comprei, eu tenho, eu possuo, é meu etc... Percebe que não tem nada comparado ao tipo de expressão: Eu penso, eu sinto, eu desejo, eu vibro, eu torço, eu lhe ajudo, eu lhe gosto, eu lhe amo etc... Tudo que faz parte do ser/sentir... Tudo que você é! Tem pessoas que fingem muito bem ser, mas não é... e como saber que são ou não? Simples, eu faço isso e dá certo: Comece a filosofar algo mais profundo e a pessoa vai lhe dizer: Nossa que papo de louco isso! Deu até dor de cabeça...  – Ai está a resposta! Pessoa-abobrinha, agora, só cabe escolher o local do plantio: Na terra ou no vasinho?!





sábado, 26 de novembro de 2011

O vestido vermelho

Dias desses uma querida amiga de longa data, ligou-me e ficamos amenizando nossa saudade no trivial papo de “como vão as coisas?”. Sempre falo para ela que nosso papo tem que ser ao vivo, uma olhando na cara da outra... pelo simples fato que eu sempre tenho que desligar por conta dos meus afazeres estudantis, ou porque acabou a bateria do celular ou ficamos sem sinal.
Mas sempre quando após falar com esta minha amiga, lembro de um fato tão engraçado quanto louco que ambas passamos.
Tínhamos que ir à um casamento de uma amiga em comum... e seria O casamento ( com ó maiúsculo mesmo!). Por que era uma cerimônia com uma festa muuito do refinado... e isso já sabíamos e por isso ficamos míseros dois meses atrás dos vestidos que iríamos na festa.
Sempre adorei vestidos longos, acho clássico, chique e sensual para uma mulher... além de eu sempre optar por cores neutras e no máximo para não sair do meu gosto... um verde mais escuro ou azul.
Minha amiga ao contrario de mim, e quando digo ao contrario, é o oposto de tudo que escrevi no parágrafo acima. Escolhia os curtos e os chamativos.
Como sempre, quando se trata de festas e ter que experimentar vestidos... sempre sou o tipo brasileiro de ser: deixo tuuuudo para ultima semana! Rs. Lamentável.... mas é assim.
Porém, minha amiga, estava adiantada e tinha comprado o tal vestido.
Eu?! Posso dizer que me F&%$@! Pois não achava nada do meu gosto e extremamente caro quando via algo que me chamava a atenção.
Contando o fato para a amiga dois dias antes do casamento, disse que iria com aquele meu preto básico longo, que no caso ela já conhecia de cabo a rabo pois adorava aquele vestido e não sei porque?!
Ela ouvindo disse:
- Não creio nisso... Não creio que terei que ver vc com aquele vestido de novo! Vc precisa mudar... por cor em sua vida... vc é uma mulher tão linda e vc não esta sabendo trabalhar isso...

Ouvindo aquilo, minha mente pratica, automaticamente já tinha o argumento:

- Miga, não preciso agradar ninguém alem de mim... To longe de ser modelo e tb não me acho tudo isso não... acho bem simples no meu modo de vestir, até pratico diria...

- Affff... mas e ai o que vc vai fazer?
- Já disse... vou com aquele preto básico!

Eu já dando de ombros o fato, vejo minha amiga saindo correndo para o seu quarto e vindo minutos depois com o seu vestido que ela iria para o casamento em mãos e logo veio isso:

- Vc vai com este!

Eu olhei espantada e sem saber o que dizer, mas disse em forma de pergunta e rejeição:

- Ta louca???!!! Nem pensar eu ir com este vestido não tem nada a ver comigo...

- Como não??? Vc não sabe??? Vc nem experimentou??? Experimenta e se ficar bom...  e vai ficar... eu vou com o seu preto... Que achas? Usamos o mesmo tamanho mesmo...

Tive risos de deboche para com ela segurando o vestido que irei descrever sem preconceitos: Era um vestido relativamente curto,feito de cetim, ficava 4 dedos acima do joelho, acinturado e com um rodado belíssimo. Era um tomara que caia que era todo trabalhado em tiras transversais no busto. Masssssss.... a cor era tudo que nunca iria imaginar usar: Vermelho!

Peguei o vestido e fui experimentar... torcendo no fundo que não servisse Rs... Quando sair do banheiro vestida com o tal, minha amiga num grito eufórico:

- Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh.. VC ESTÁ MARAVILHOSA! LINDA!!! Ele serviu certinho! Não disse... eu disse... é isso que vc precisa! Agora vamos buscar seu preto para eu vestir...

Fiquei com vergonha um pouco me olhando no espelho com aquele vestido... não sei por que... mas acho que não me dava ao luxo ou a permissão de me ver assim... Sempre fui um tipo de mulher que faz de tudo para não ser notada... mas o pior que de alguma maneira sempre somos... sempre tem alguem observando. Mas confesso que simpatizei com o vestido, e fui me namorando com ele.

Tirando o vestido perguntei para minha amiga o porque dela sempre comprar vestidos vermelhos... Nunca via outra cor em seu guarda roupa além dessa cor e de outra tão viva quanto esta...
Ela como sempre de forma muito doce disse:

- AAAhhh... engraçado... nunca pensei nisso, mas eu analisando acho que depois do meu divorcio, eu vi que me perdi muito como mulher... de me ver no espelho e me senti feminina, linda... não gostava da imagem que via. Um dia, resolvi comprar a roupa de cama vermelha,  e depois pintei uma das paredes do quarto de vermelho e em seguida coloquei uma cortina vermelha na sala... e quando fui me acostumando com esta cor tão quente... que me trazia energia para voltar a viver em um novo ciclo... resolvi comprar meu primeiro vestido vermelho, simples até, tinha alguma flores vermelhas bem grandes em um fundo vermelho claro... e me senti tão bem nele, que vi que poderia resgatar minha alma feminina de algum lugar naquilo tudo. Então o vermelho tem este poder sobre mim, não apenas de sedução, ousadia... mas de vivacidade... acho que é esta palavra que define... Me sinto viva!

Olhando minha amiga dizendo tudo aquilo e sabendo todo o processo que ela tinha passado, entendia perfeitamente e talvez aquele gesto de me emprestar seu vestido vermelho fosse para que eu não caísse de alguma forma nesta armadilha da praticidade do mundo.

Quando olho as fotos que tirei com aquele vestido no dia do casamento eu vejo aquilo que minha amiga deva ter sentido ao me vestida. Cor, vida, beleza... tudo que uma simples vibração de uma cor poderia trazer...
Depois desse fato... reorganizei minha prancheta de cores no guarda roupa... além do branco básico... coloco cores em tons mais vivos... e confesso que fez sim uma diferença significativa ao meu ver.
Algumas pessoas podem não entender isso, mas imagine que vc vivesse de um uniforme todos os dias... e se vc não desse a chance de arriscar... e mudar e experimentar outras coisas... Pois é, foi isso, uma simples mudança... fez meu padrão se flexibilizar... acredito que de certa forma, era uma das primeiras lições para que eu pudesse me flexibilizar na vida e pelas coisas que viriam. Alias é uma das coisas que esta minha amiga me diz até hoje: Flexibilize Camila, flexibilize! Rs